Eleições
Ano eleitoral no Brasil, ano eleitoral nos EUA. É interessante comparar como funcionam as campanhas nos dois lugares. Eu já comentei sobre a campanha eleitoral de dois anos atrás, mas é muito mais divertido quando é pra presidente.
Normalmente no Brasil as campanhas funcionam assim: os candidatos têm seu horário na TV, sobem no palanque pra fazer discurso, etc. Falam de trocentos planos pra fazer o
Aqui não tem nada dessa hipocrisia. É lamaçal puro. Divertidíssimo.
Quando você vê o Bush ou o Kerry na TV fazendo campanha, eles não estão falando dos seus planos. Quando falam do que vão fazer, usam os termos mais genéricos possíveis: "plano de saúde pra todos, guerra contra o terror" e coisas do gênero. Mas 99% dos discursos têm como intenção denegrir a imagem do outro candidato. Na maioria das vezes são ofensas veladas, mas de vez em quando sai alguma mais direta.
Semana passada teve a DNC, a "Convenção Nacional dos Democratas", um evento de três dias onde o partido democrata escolhe algumas pessoas pra ir fazer discurso além, claro, de apresentar os seus candidatos oficialmente (não que ninguém não soubesse quem eles seriam há muito tempo). Um festival de discursos preparados e vazios, cujo conteúdo principal era falar mal do Bush.
Não sei quando vai ser a dos republicanos (o GOP, ou "Good Old Party"), mas vai ser a mesma ladainha, trocando ofensas ao Bush por ofensas ao Kerry.
Mas o mais legal de tudo é que isso não adianta nada. Apesar de teoricamente ter um sistema multi-partidário como o brasileiro, é um esforço incrível pra qualquer partido que não seja o republicano ou o democrata conseguir representatividade, quanto mais eleger um governador ou presidente. E a população é dividida 50% pra cada lado. E os dois lados se "odeiam", pacificamente, a ponto de ser improvável um republicano votar num democrata ou vice-versa. O que faz os discursos do Bush só serem ouvidos pelos republicanos e os do Kerry só pelos democratas.
No fim das contas, a eleição é definida por quem consegue convencer mais gente a votar (voto não é obrigatório). A não ser que haja um candidato que tenha popularidade muito baixa, normalmente a disputa é muito próxima.
E aí fica assim. Os republicanos vivem chamando os democratas de "liberais" (isso virou xingamento agora?) e os democratas vivem chamando os republicanos de "conservadores" (é pra se sentir ofendido?). E a cada quatro anos a história se repete.
Mais ou menos como esses caras mostraram no flash "This Land", que é uma perfeita caracterização do que acontece aqui.
::: escrivinhou anonymous às 12:34
0 comentário(s)